O que você precisa saber antes de ter um porquinho da índia!

Porquinho da india

Resolvi fazer esse post por alguns motivos: o petshop ensina tudo errado, as pessoas tem se interessado em ter pets exóticos e tenho boas dicas pra passar para as mamães e papais de primeira viagem de um porquinho da índia. Eles são lindos, pequenos, muito fofos, parecem um “hamster grande” pra muita gente. Mas tem muita orientação errada por aí, além de pouca informação aqui no Brasil de como cuidar de um bichinho desses. Esse post é sobre posse responsável, acima de tudo.

Eu comecei errando igual a maioria das pessoas. Segui os conselhos do petshop, comprei uma gaiola grandinha (na verdade, é bem pequena se comparado ao tamanho do porquinho), tinha aquelas coleiras pra botar no corpinho (como se fosse um cachorro), colocava minha porquinha naquelas bolas de plástico de hamster (e ela preferia deitar nela e dormir), colocava serragem e oferecia um monte de comida errada. Mas um grupo do Facebook, chamado Porquinho da índia Brasil me salvou e salvou outras pessoas, ou melhor, seus porquinhos, de uma criação irresponsável.

Ela vivia nisso!

Casinha ruim, toda errada

"Me tira daqui!!"

Alguém me tira daqui

Hoje, 3 anos depois de pegar minha primeira porquinha, a Pereba, a vida dela é completamente diferente. Agora ela vive em um cercadinho, come as rações corretas, tem uma amiga (a Frida) e pode relaxar em paz. E você, que quer ter um também, fique atento(a) no que você precisa saber antes de decidir adotar/comprar um porquinho. Esses daqui são os conselhos que eu queria ter recebido antes de ter a Pereba, lembrando que NÃO SOU VETERINÁRIA de exóticos e tudo que estou passando aqui é a minha experiência e o que aprendi com outros donos:

O QUE VOCÊ PRECISA SABER ANTES DE TER UM PORQUINHO DA ÍNDIA

1. Não vivem em gaiolas com serragem e/ou jornal

O que a maioria das pessoas erram! Os porquinhos são roedores que podem medir 25cm os machos, e as fêmeas um pouco menores. Imagina viver numa gaiola de hamster! Eu já achava horrível ver minha porquinha, ainda jovenzinha, dentro daquilo e soltava na sala de casa para ela pudesse se exercitar, hoje em dia só uso essa gaiola para pequenos períodos como para limpar o cercadinho delas e para levar a algum lugar.

Os porquinhos vivem mesmo em cercados de aramado (esses de expositor de loja mesmo) forrados com Soft (um tipo de pano que permite a absorção do xixi) e com tapetes higiênicos (de cachorro) ou toalhas embaixo. Essa forração precisa ser trocada pelo menos 1x na semana, tudinho. O soft e as toalhas podem ser lavados (sem amaciante).

Serragem faz um mal danado e jornal também: um faz mal para a respiração do porquinho e o outro faz mal devido a tinta, e eles podem (e vão) roer tudo que estiver na frente.

2. Companhia: o mínimo é ter 2 porquinhos do mesmo sexo

Outra coisa que eu não sabia: porquinhos são super sociáveis com outros porquinhos e se ficarem sozinhos, podem até entrar em depressão. Mas não é tão simples apresentar um amiguinho para o seu bichinho mais velho. As fêmeas são de longe as mais fáceis de cuidar (os machos precisam até limpar a região do piupiu com certa frequência) e tendem a brigar menos. Os machos precisam ter uma média de 6 meses de diferença de idade para que um não se sinta ameaçado com a presença do outro e não role aquela disputa de território.

Já na hora de apresentar, existe todo um processo recomendado: deixar o novo porquinho de “quarentena”, para ver se ele não possui nenhuma doença que possa transmitir ao porquinho mais velho da casa (é comum virem de petshops e criadouros com sarna, micose, pulgas, piolhos, ácaros… ih, tanta coisa!). Depois eles se conhecem em um local neutro (fora do cercado) com supervisão. Vendo que está tudo certo, os 2 podem ir para o cercado totalmente limpo do cheiro do outro porquinho.

Mas afinal, por que não ter um macho e uma fêmea? A não ser que você esteja super afim de correr o risco de perder a fêmea (já que a gravidez para porquinhas são sempre arriscadas) e/ou e ter muitos filhotes, é melhor ter 2 do mesmo sexo. A fêmea está pronta para engravidar praticamente desde que nasceu, e pode reproduzir durante o ano inteiro dando até seis filhotes por gestação. Ta doido, né? Tem muito porquinho aí já querendo ser adotado.

3. Precisam de veterinário especializado em animais exóticos

O porquinho, obviamente, não é um cachorro, nem um gato, nem um passarinho. É considerado um animal exótico, e por isso, os veterinários dos pets “comuns” não vão querer atende-los ou vão acabar passando medicamento errado e tóxico. Por isso qualquer doença que seu porquinho possa vir a ter, é necessário ter um veterinário de animais exóticos a sua disposição. Não são clínicas tão fáceis de achar e as consultas são geralmente mais caras que a de um cachorro. E lembre-se que ao adquirir um bichinho, você se torna responsável pela vida dele! Não levá-lo ao veterinário é praticamente maus tratos.

4. Não suportam tomar banho

Em hipótese nenhuma ache que aqueles pózinhos de banho de roedor é bom para eles, não é! E dar banho com água e shampoo também não. Isso porque são animais que se sentem facilmente ameaçados, por terem instinto de presa, e se estressam muito com o banho. Na verdade, eles se estressam fácil com praticamente qualquer coisa e já levei uma mordida da Pereba que primeiro ficou roxo e depois começou a sangrar de tão forte que foi (só mordem quando estão muito estressados mesmo). O banho de água morna + shampoo neutro deve ser dado a cada 6 meses ou 4 meses caso seu porquinho seja bem cabeludo. Não esqueça também de cortar as unhas…

5. São dóceis mas medrosos

É normal fugirem de você mesmo 3 anos depois de convívio. Porquinhos quase sempre vão passar o dia dentro de suas toquinhas. São mais ativos no início do dia e no início da noite, quando você pode se assustar com a correria dentro do cercado. Além disso, eu gosto muito de ficar agarrando as minhas, mas a probabilidade de fazerem suas necessidades em cima de você são grandes. São quase máquinas de produzir caquinha! Aprenda a conhecer o tempo limite deles no colo.

6. Barulhentos e esfomeados!

Se você não por limites e marcar a hora do legume, vão agir igual criança com manha querendo doce. Eles tem um grito alto e agudo, geralmente pra pedir comida: e não é a ração que querem. A alimentação do porquinho é composta principalmente de legumes, verduras e muito feno. O feno é extremamente necessário para desgastar os dentinhos, que estão sempre crescendo. Se crescer muito e eles não desgastarem, vão parar de comer e você precisará levá-lo ao veterinário para fazer o desgaste. Fora isso, as rações recomendadas são: nutrópica, nutricobaia e funny bunny. Qualquer misturinha pode fazer com que eles se engasguem ou tem um nível de cálcio grande, que pode dar problemas na bexiguinha.

Feno é o paraíso

7. Vitamina C é muito necessário

Sim, esses bichinhos requerem muito cuidado e atenção. Como eles não produzem vitamina C, essa vitamina precisa ser complementada na alimentação. O ideal é comprar aquelas gotinhas de farmácia mesmo, colocar numa seringa sem agulha umas 2 gotinhas e dar a eles direto na boca diariamente. Sem isso, podem adoecer com mais facilidade.

8. Não confie em todos os produtos “feitos para roedores”

Não trate seu porquinho por aquilo que ele não é! Coleirinhas pra passear? Não mesmo, a coluna é sensível e isso poderá lesionar (ainda bem que a Pereba é revoltada e nunca deixou eu por). Bolinha pra ficar dentro e correr pela casa? Não é um hamster, também pode lesionar a coluna, fora que achar uma bolinha do tamanho deles é um desafio. Cenourinha de mineral pra roer? Nem pensar. Alfafa? Bom, tem muito cálcio e não queremos eles chorando pra fazer xixi. Então pense bem, pesquise bem, a maioria dos produtos para os porquinhos vendidos em petshops aqui no Brasil, só servem pra fazer mal a eles e o petshop lucrar bastante.

Conclusão

Existem muitos prós e contras em ter um porquinho da índia. E cuidando direitinho, podem chegar a 8 anos de idade. São bichinhos que podem ter complicações muito facilmente e demoram a demonstrá-las. Até mesmo soltá-los no chão de casa, sem supervisão, pode dar pododermatite nos pézinhos e corre aquele risco de comerem o que não deve. Até porque, sendo roedores, temos que tomar muito cuidado com o que está ao alcance deles, “se tá aí é pra comer” é mais ou menos como eles devem pensar.

São animais muito amáveis, fofos e todo mundo se encanta com eles. Existem vários tipos de porquinho como os de pelos maiores (peruanos e shelties), os de pelo curto (inglês) e os peladinhos (skinny), mas a maioria aqui no Brasil é misturado, o que chamamos carinhosamente de “vira-feno”. Tem outros tipos que não me vem na cabeça no momento, mas cada um exige cuidado e muita responsabilidade. Podem não ser tão recomendados para crianças que querem companhia pra se divertir devido ao instinto medroso e “antisocial” com os humanos, principalmente se não tiver um adulto vigiando e ajudando a cuidar do pet.

Lembrando que esse post é baseado nas minhas experiências e nos conhecimentos que outros donos me passaram. Caso queiram mais informações de posse responsável, é só procurar pelo grupo Porquinho da índia Brasil que tem essas e muitas outras dicas.

 

E você? Também tem porquinhos da índia? O que você gostaria de ter escutado antes de adquirir um?

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2 Comentários

  1. A minha Bel tem 3 meses eu ganhei ela mas ela veio de um abrigo que não era bem cuidada ..Minha mãe percebeu que ela tá com vermelhidão e com caspas no corpinho dela isso é grave ..Não tenho como levalá no veterinário acho que aqui na minha cidade nem tem veterinário para ela só para cachorros e gatos ..vc pode me ajudar se é algo grave que ela tem .

    1. Oi Beatriz!
      Infelizmente os porquinhos são sujeitos a vir com algumas doenças. Eu não sei te informar se é grave ou o que é, já que não sou veterinária. Posso te ajudar assim: me diz qual cidade você mora que eu dou uma olhada aqui qual lugar mais próximo para atender sua porquinha. Também te recomendo a entrar no grupo do Facebook que eu disse no post, a moderação tem mais conhecimento e pode te orientar melhor.

      Beijos :*

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