Diversão Offline: o mundo dos Board Games

No Brasil ainda é meio esquisito se referir aos jogos de tabuleiro como “Board Games”. Na verdade, é a mesma coisa. Mesmo em uma era digital, quando associamos “jogos” sempre aos video games, uma galera conseguiu encher um evento voltado para o oposto disso: jogos analógicos, os “board games” e “card games”. O evento que estou falando é o Diversão Offline, que aconteceu nesse último final de semana (19 e 20) no Sulamérica aqui no Rio de Janeiro. Foi a 3ª edição do evento e eu queria levar tudo pra casa.

Eu não conhecia muito essa cultura dos board games há pouco tempo. Só descobri mesmo quando meu primo, depois de passar uma temporada no Canadá, trouxe alguns desses jogos e conheci o Ticket to Ride, um dos mais famosos. Eu amei o jogo e encomendei um logo depois na Galápagos, uma editora incrível que traz todos esses jogos lá de fora e traduzem aqui pra gente.

Para quem não conhece, talvez esteja aí se perguntando o que de tão interessante tem nesses jogos que enchem eventos hoje em dia. Acontece que se você for lá nas Europa, vai encontrar essa cultura, que é bem forte lá, de unir os amigos pra jogar um board game, geralmente cheio de estratégia e inteligência. São muitos tipos para todos os gostos e idades. Inclusive, pra jogar sozinho caso esteja difícil de arrumar uma companhia (sad but true, é super difícil pra mim unir as pessoas pra jogar comigo). Enfim, pra entender essa galera, só jogando mesmo. Por um deles, pelo menos, você vai se apaixonar.

E falando na dificuldade de arrumar companhia, meu Ticket to Ride acabou ficando de lado por alguns anos até eu começar a namorar de novo, porque encontrei no meu namorado outra pessoa que gosta de jogos offline. Tirando a poeira do meu board game e indo a eventos Geeks, conhecemos outras empresas e editoras (além da Galápagos) e um ótimo jeito de poder testar os jogos antes de comprá-los. Isso porque cada jogo custa em média 200 reais, então fica bem difícil comprar e se arrepender depois porque descobriu que não era bem aquele estilo que você curte.

O primeiro evento que vi stands ensinando as pessoas a jogarem foi o Geek & Game Rio Festival que aconteceu esse ano e misturou vários outros jogos, incluindo os digitais, onde joguei Sheriff (um jogo de contrabando e muitos blefes, fui péssima porque não consigo mentir sem rir). Depois, ficamos sabendo do Diversão Offline que seria apenas desses jogos e claro que fomos.

Como foi?

É realmente pra ir com um grupinho de amigos, ou fazer amizade por lá mesmo, pra sentar em uma das váaaarias mesinhas das editoras e conhecer os jogos. Tinham de vários estilos com uma duração média-longa, então tem que preparar o bumbum pra ficar quadrado de tanto ficar sentado jogando. Claro que depois, se gostar do jogo, poderia adquirir um ali mesmo.

Além das editoras, teve também palestras (vi a de Ilustração com a Amedyr, Daniel Lustosa  e Lucas Rodrigues), stand de tatuagem e uma área da catarse para os projetos brasileiros. Pra quem não conhece, a catarse é um site de crowdfunding (financiamento coletivo) onde você pode divulgar seu projeto e receber o apoio financeiro que precisa pra desenvolve-lo. Lá no evento, disponibilizaram mesinhas e cadeiras para quem quisesse exibir um protótipo seu jogo para quem estava lá visitando. O projeto que tivesse mais votos, ganhava um prêmio em dinheiro.

Para quem gosta de jogos como Magic e Pokémon, tiveram torneios com prêmios muito bons (de acordo com meu namorado, eram cartas bem caras). E mesmo pra quem não sabia jogar, havia espaço pros iniciantes e de quebra, ganhar um deck básico.

O que faltou?

Acho que a equipe do evento não esperava que fosse encher tanto, então espero que possam alugar um espaço maior na 4ª edição. Isso não é necessariamente ruim e não me atrapalhou pra andar nem nada, apenas tinha a expectativa de ser um local maior.

Faltou comida! Isso mesmo! Só havia uma “barraquinha” de salgados dentro do evento e que não era tão barato assim. Do lado de fora, mas ainda dentro do Sulamérica, tem um restaurante e algumas lanchonetes que estavam fechadas porque era domingo. Isso me obrigou a pagar caro no lanchinho.

O que comprei, o que ganhei, o que joguei

Não dava tempo pra jogar tudo, infelizmente. E olha que cheguei as 10h (horário de abertura) e fui embora na hora que fechou, as 18h. O primeiro jogo que joguei foi o Arcadia Quest Pets, na sala de jogos só da Galápagos (amei? amei). Lá só podia entrar deixando o celular com a equipe (naquele esquema de colocar dentro do saquinho lacrado do ENEM) pra evitar que as pessoas tirassem fotos de jogos que ainda nem foram lançados, então nem pude tirar foto de nada de lá pra vocês.

Joguei o Arcadia e paramos na 4ª rodada, talvez. Isso porque o jogo é longo, mesmo que tenham feito um setup para encurtá-lo, e também porque eu já estava desanimada. Sinceramente, não gostei muito. Ele parece ser inspirado em jogos de RPG. Você controla 3 heróis e possui pets que podem batalhar com monstros, outros heróis e capturar pets selvagens. Achei bem complexo e fiquei muito confusa até entender mais ou menos como funcionava.

Depois fui ver como era o torneio de iniciantes de Magic promovido pela Magic Store Brasil, que eu já estava de olho desde quando saiu a programação. Isso porque meu namorado é fã desse jogo e lá você poderia ganhar um deck! Eu, como boa pobre que sou, claro que fui lá aprender um pouco. Ganhei 2 decks básicos mesmo só ganhando uma partida 🙁

Agora o que eu me apaixonei e quero comprar o mais rápido possível: no stand da Red Box joguei Camel Cup (ou Camel Up). Mas o que é Camel Cup? Um joguinho relativamente rápido e que aparenta ser bobo mas é muuuuito divertido. Nele, você se torna um apostador de corridas de camelos. Isso mesmo, é tudo sobre uma corrida de camelos que podem ficar empilhados caso acabem caindo na mesma casa, e isso deixa o jogo imprevisível. Quem apostar e manipular melhor as corridas a seu favor, ganha mais dinheiro e consequentemente ganha o jogo (eu ganhei!).

E enquanto não compro o Camel Cup, comprei um jogo que estava de olho desde o Geek & Game Rio Festival, chamado Black Stories. Esse jogo custa cerca de R$30 e comprei no stand da Game of Boards por R$26. Não possui tabuleiro, por isso é bem portátil e da pra jogar em qualquer lugar.

Pra jogar Black Stories, é necessário um mestre e jogadores que irão tentar descobrir a solução dos enigmas. São 50 cartas (crimes, assassinatos, suicídios) em que na frente tem o enigma e a parte de trás a solução dele, e são respostas MUITO loucas. Lembra um pouco o nosso “detetive” e o mestre só pode responder as perguntas com “Sim” ou “Não”. Existem várias edições mas pra começar comprei a 1ª.

Iria de novo?

Sim, claro, com certeza. E não só esse, mas quero descobrir outros eventos desses jogos, que só agora tem ficado conhecidos no Brasil, e que vem incentivando as pessoas daqui a também produzirem seus próprios board games.

Jogos online são divertidos mas solitários muitas vezes. Não acredito que sejam melhores que reunir amigos ou sua própria família em uma tarde sem celular, computador ou video game, pra jogar board games. Interagir pessoalmente também é bom, né, e as vezes a gente se esquece um pouco disso.

Pra quem não conhece e quer conhecer esse mundinho, é só começar a acompanhar esses eventos Geeks e/ou ir nas lojas que vem se espalhando por aí que oferecem esses jogos pra comprar, alugar ou pra jogar lá mesmo. Uma dessas lojas é a Game of Boards que conheci lá no evento. Ela fica no Catete e deixa você levar os jogos pra testar em casa. Mas para quem ta disposto a jogar logo a grana no ventilador, eu recomendo o Ticket to Ride que é um ótimo jogo pra começar.

Lembrando que o público geralmente é adulto. Foram pouquíssimos adolescentes e crianças que vi no evento. E levando em conta do que alguns jogos exigem de nós, não são jogos que crianças terão facilidade em entender. Mas claro, existem também alguns para o público infantil que parece ser também muito divertido para os adultos, a exemplo do Camel Cup e de um chamado Fila Filo, que eu não joguei mas vi como funciona, e parece ser muito legal.

E você conhece algum board game desses? Já jogou? Quais você tem? Se não, te interessou? Me conta aí 🙂

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